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sábado, 26 de novembro de 2016

Cegueira Financeira

Quando encontro algum blog novo e me interesso pelas postagens, começo a lê-lo do início. Gosto de ver a evolução do blogueiro, a experiência adquirida e o que mudou com o passar do tempo.

Ontem decidi novamente voltar a ler o Mr. Money Moustache, acredito que seja um dos mais famosos blogueiros que se aposentaram cedo (mais precisamente aos 30 anos). E foi através dele que eu ouvi falar na expressão "early retirement"pela primeira vez.

Voltando ao post de apresentação do MMM, parei para pensar na minha trajetória.

Não é segredo que apenas recentemente comecei a poupar com afinco e ainda tenho muito o que aprender. Porém por diversas vezes essa "oportunidade" de abrir os olhos me foi exposta e eu sempre a ignorei.

Comecemos pelo livro Pai Rico, Pai Pobre.
Acho que ainda não terminei a leitura, mas assim que o peguei pra ler, há uns meses, meu cérebro jogou um alerta dizendo "já li isso antes". Fiquei pensando quando na minha vida eu já havia lido aquelas primeiras páginas e então caiu minha ficha: no Ensino Médio eu tinha uma matéria chamada Contabilidade, lembro mais ou menos do conteúdo, mas sei que fixou muito facilmente o conceito de ativo e passivo e como eu achava aquilo interessante. Provavelmente a leitura do livro deve ter sido indicação da professora, afinal qual melhor autor pra nos fazer entender de uma vez por todas o que é um ativo e o que é um passivo?
Só que aos 14~15 anos eu não tinha maturidade para entender o significado real daquilo tudo, afinal, não trabalhava, não ganhava meu dinheiro e não dava real valor ao custo das coisas, pois eu não precisava ~lutar~ para consegui-las.

Depois ganhei uma graninha, uma espécie de herança, mas com um valor bem ridículo, algo em torno de R$10k.
Do alto da minha vasta sabedoria achei que "não faria como todo mundo". Já havia planejado tudo enquanto sonhava em ganhar na mega sena (mesmo sem jogar): era só deixar tudo na poupança e viver dos rendimentos, claro! hahahah
Resumo da história: outra oportunidade perdida de aprender a cuidar do dinheiro. Tinha na cabeça que quando tivesse muito dinheiro ia pagar alguém para administrá-lo (ó as ideia).
No fim das contas aos poucos fui gastando aquela grana. Claro que não era muito, mas a Poupança também não rende grande coisa, então já viu, rs. Só não me arrependo muito porque apesar de não saber o que fiz com a maior parte do dinheiro, foi com um pouco dele que comprei meu amado PC, que uso até hoje e me serve perfeitamente, apesar da insistência do meu namorado em dizer que eu deveria trocá-lo.

Um tempo depois de já ter gasto quase toda essa grana, apareceu uma oportunidade de comprar apartamentos na planta, num bairro novo e muito promissor. A construtora anunciava "preço de fábrica", era algo em torno de 27 a 30 mil reais. Se eu tivesse a grana na época, teria comprado. Não um, mas uns três. Avisei diversas pessoas da oportunidade, só não tive coragem de pedir o dinheiro emprestado, rs, mas ninguém me deu ouvidos. Menos de um ano depois e antes mesmo dos apartamentos serem entregues já estavam sendo vendidos por 60 a 80 mil reais. Hoje em dia estes mesmos aptos custam, em média, R$200k.

E então comprei o livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos do Cerbasi. Achei genial e muito interessante, mas botar em prática? Pfff.

Ano passado conheci o Mr. Money Moustache e foi então que a ideia de independência financeira passou a se "materializar" na minha mente. Já li diversos sites, blogs e livros dando dicas de valores que deve-se juntar para viver de renda. Porcentagens e mil cálculos mirabolantes, mas nunca vou esquecer da premissa básica do bigodão: junte 25x o valor anual de suas despesas e vai ficar tudo bem (ou quase).

Esses foram exemplos meus que lembrei, mas poderia citar de de conhecidos:

- a família que diz que vive bem com R$6k mensais, mas passa muito mais por isso pelas mãos e continua com dívidas, nome sujo e trocando financiamento (porque o carro é do banco até que se pague).

- a matriarca que ganha R$12k líquidos e diz que na verdade recebe "apenas 8k", porque o restante está comprometido com empréstimos descontados em folha (como se os empréstimos tivessem sido compulsórios e não uma escolha) e que nunca paga o valor total do cartão de crédito.

- o genitor que após a aposentadoria vendeu um  imóvel e enfiou tudo na bolsa de valores, passando os dias em frente ao home broker especulando para dar conta das despesas da casa, em vez de dizer "vâmo economizá, negada??"

- a colega de trabalho que não têm condições de manter um carro e mesmo assim insiste em tê-lo.

- a moça do salão de beleza que caiu no conto da Hinode.

- a amiga que já ganhou 200k de prêmio e não fez questão de aprender a gerenciar o próprio dinheiro.

Essa (falta de) visão que as pessoas têm do dinheiro é muito prejudicial. E é incrível como é fácil se deixar levar por ela, afinal, é o que a maioria faz e nós aprendemos pelo exemplo. Por isso não culpo tanto quem não consegue ver a vantagem de economizar agora pra não sofrer no futuro. Fico triste de não poder ajudar, mas se a pessoa não quer mudar, não quer ser ajudada, não há nada que eu possa fazer. Cada um tem seu tempo.

Além do mais, é graças ao povo doido que consome sem critério que as empresas têm lucro e temos a oportunidade de virar investidores. Viva a diversidade! Especialmente pra quem tá no grupo da minoria (euzinha) e vai tirar mais vantagem, hahahha.

E obrigada a todos os blogueiros que se dispõem a falar de finanças e me ajudaram nessa nova empreitada, sem o apoio de vocês eu certamente seria mais uma vítima da Poupança e continuaria sem perspectiva para o futuro, achando - como muitos - que o milhão é impossível de alcançar.

Abram os olhos, as oportunidades estão aí, basta ter conhecimento para aproveitá-las. Sucesso para nós e rumo ao milhão!

12 comentários:

  1. Muito bom , parabéns .

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  2. Ryca, vamos rumo ao milhão!
    Algumas oportunidades já passaram, mas com certeza virão outras milhares e dessa vez você vai poder aproveitar!!

    Abs.

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    1. Nem gosto de ficar me lamentando pelas oportunidades passadas... agora quero apenas não perder as próximas que aparecerão :D

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  3. Olá, Ryca,

    Parabéns por estar amadurecendo nas finanças pessoais. Saber se relacionar de forma saudável com o rico dinheirinho é um dos pilares de uma vida plena.

    Esses dias eu li que problemas financeiros estão relacionados com o alcoolismo, com a violência, com a prostituição, e com vários outros males da nossa sociedade.

    Na prostituição, por exemplo, a maioria das meninas encara essa vida para... atingir a IF. Que coisa não? Bastaria elas acompanharem os blogs de finanças, e talvez não precisassem vender seus corpos para chegar lá.

    Espero que seu blog atinja muitas mulheres, pois de nada adianta termos "soldados do milhão", e não termos "soldadas", rsrsrs. Todo mundo precisa desse conhecimento, seja homem ou mulher. Sucesso!!!

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    1. Pior que se tivessem uma mentalidade financeira mais apurada (coisa que o brasileiro médio não tem), elas trabalhariam por alguns anos e estariam bem de vida, já que sabemos que a "vida útil" de uma prostituta não é muito longa =(

      Espero que TODO mundo vire soldado do milhão, no momento estou cercada por pessoas descontroladas, e aqui não há discernimento entre gênero :/

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  4. Excelente Reflexão Ryca!
    Realmente tenho me pegado pensando como ensinarei meu(s) descendente(s) a investirem. Eita coisa intrigante que é fazer ter o "click" pra mudar a chave cerebral pro modo investidor.

    Até mais

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    1. Sabe o que me deixa mais preocupada?
      O "click" para entender isso é muito pessoal. Não sei se, se isso for ensinado desde a tenra idade fará diferença, acho que é mais ou menos no caso das pessoas que precisam de ajuda, mas só quando elas quiserem ser ajudadas a coisa vai surtir efeito...

      Por enquanto não penso em descendente nenhum, já tá complicado tomar conta da minha vida, hahauha.

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  5. Isso.
    E é legal também quando tem gente que vem conversar contigo por se interessar por finanças, mas depois tem umas ideias contraditórias de esbanjar em coisas que não precisa e ficam na mesma, mas na consciência delas acham que estão investindo.
    Legal essa ideia dos 25x. Porém se eu não trabalhasse acho que meus gastos aumentariam bastante, porque eu não quero me aposentar pra ficar em casa vendo netflix né? =P
    Abraço

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    1. Então, eu quero me aposentar cedo sim e, não pretendo ficar assistindo Netflix, sei lá, sou criativo:

      1 - Cuidaria melhor da minha saúde, faria exercicios com mais regularidade, aqui no escritório tenho que preencher requisição toda vez que saio mais cedo, é um saco dar satisfação da minha vida pros outros. Se tenho que ir ao medico tenho que dar satisfacoes da minha vida phoda isso.

      2 - Estaria mais em contato com meus pais/amigos/familiares.

      3 - Com certeza eu iria me entupir de tanto fazer cursos, muitos deles so podem ser feitos durante o horario de trabalho.

      4 - Aos poucos eu iria conhecendo todo o nosso litoral, so ai levaria alguns anos de ter o que fazer e nao ficar na frente do Netflix.

      5 - Sim, tambem iria assistir Netflix kkkk

      6 - Nao iria ver o tempo passar na tela do computador, com tanta coisa legal pra fazer pra curtir a vida.

      7 - Meu patrao é P O D R E de rico, so aparece no escritorio de vez enquando e, adivinha so, vive postando fotos dos passeios que ele faz, enfim, ele assim como eu é bem criativo no que diz respeito a SABER VIVER.

      8 -

      9 -

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    2. Tudo que eu queria era poder ficar em casa pra sempre, huahuah. Lógico que eu viajaria por aí por algum tempo, mas sempre voltando pra casa. As pessoas me cansam.

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    3. Anônimo, a coisa mais irritante de ser empregado é ter que pedir permissão para resolver qualquer coisa pessoal, aff.

      Só não deixa pra cuidar da saúde depois, enfia uma rotina de exercícios pra chegar saudável na IF =)

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